
Antes de Tudo, Aceite a Imperfeição
Situações que nos desequilibram ou que desafiam a nossa solidez emocional precisam ser administradas com racionalidade. É a razão que traz o equilíbrio de volta para o centro.
No calor do momento é a,quado seria afastar-se temporariamente da situação de forma consciente, buscando tranquilidade para formular uma resposta racional. O desvio de foco é útil, mas precisa ser estratégico.
No momento em que perco o controle, sou contra o desvio puro e simples da atenção. Inúmeras técnicas superficiais ensinam a pensar em outras coisas, contar até 10 ou soletrar o próprio nome de trás para frente. Na minha opinião, essas táticas apenas ignoram o sentimento. A raiva não vai passar só porque você olhou para o outro lado. Ignorar a emoção é apenas adiar a sensação ruim, porque o núcleo do problema continuará lá. Para aprendermos a lidar com nossos sentimentos, precisamos entendê-los.
A Abordagem Nuclear: A Origem das Nossas Emoções
Tratando-se de problemas superficiais, as técnicas de distração serão infindáveis. Por isso, a nossa busca pelo autocontrole deve ser nuclear. Acredito que todas as emoções partem de uma gênese que, se decifrada, solucionará grande parte dos nossos estados emocionais secundários.
Os enigmas da nossa emoção podem ser resolvidos quando conhecemos profundamente dois pilares: a vulnerabilidade e os diálogos internos.
- A Vulnerabilidade: Emoções negativas muitas vezes são manifestações descontroladas do nosso sistema de defesa. Elas expõem a nossa fragilidade. Quando nos sentimos ameaçados e nosso sistema de autoproteção ainda não está pronto, reagimos de forma indesejada. Com autoconhecimento, sabemos quem somos, conhecemos nossos limites e temos menos medo da exposição. Relacionamo-nos de forma mais consciente, gerando menos falsas expectativas para nós e para os outros.
- Os Diálogos Internos: São eles que nos direcionam emocionalmente. Nossas interpretações da vida são filtradas por esses questionamentos internos, muitas vezes excessivos. Diálogos fora de controle poluem nossa visão, nos levando a julgamentos errados sobre as pessoas e as situações. Essa distorção gera infelicidade. O autoconhecimento joga luz sobre isso, tornando nossos diálogos mais assertivos e racionais.
A Técnica da Hiperventilação Consciente
O importante durante uma crise é acalmar os ânimos, colocar a cabeça no lugar e pensar novamente no que aconteceu, mas sem ignorar o estado emocional agressivo que quase tirou o meu foco. Uma técnica que acho extremamente eficaz — porque não invalida o sentimento ruim e me permite observá-lo para administrá-lo depois — é regular a respiração.
A respiração está intimamente ligada ao nosso estado emocional. Quando estamos calmos, inspiramos buscando energia; quando estamos nervosos, expiramos ou “bufamos”, liberando tensão.
No momento de alta tensão emocional, procuro inverter e intensificar esse processo: passo a inspirar e expirar profundamente, aspirando grandes quantidades de ar, buscando quase uma hiperventilação. A grande quantidade de ar aspirado provoca uma sensação física de relaxamento, diminuindo a tensão do meu estado agitado. A alta oxigenação do cérebro desvia o foco da raiva explosiva para uma introspecção quase meditativa. Isso me dá facilidade para me acalmar e buscar uma alternativa, mesmo que temporária, para administrar o conflito. Com o tempo, volto a pensar racionalmente sobre a situação, sem tirar a importância da raiva que me tomou, mas impedindo que ela me controle.
O Observador Racional
Ao mesmo tempo em que tento recuperar o equilíbrio através da respiração, começo a repensar o evento que me desequilibrou da maneira mais racional possível. A intenção é reviver a situação retirando a carga emocional agressiva, avaliando o que realmente causou o estresse.
Uma maneira excelente de fazer isso é me colocar como uma terceira pessoa. Imagine que você precisa narrar o que aconteceu para alguém da maneira mais objetiva possível, relatando apenas os fatos, livre de adjetivos, impressões e emoções.
Essa narrativa limpa ajuda a entender por que aquela situação mexeu tanto comigo. A partir dessa clareza, consigo focar no que realmente importa: sugerir soluções práticas, primeiro para blindar o meu próprio equilíbrio emocional no futuro e, segundo, para resolver a situação em si.
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