O Verdadeiro Motor do Clima Organizacional
Embora seja muito comum imaginarmos que o clima organizacional tem relação direta e exclusiva com os relacionamentos interpessoais, eu percebi que isso não é totalmente verdade. O clima de um ambiente de trabalho depende, também, da satisfação individual de cada um de nós.
O quanto eu me sinto feliz ou realizado exercendo a minha atividade diária será mais um diferencial para o nível do clima organizacional naquele espaço. Por isso, antes de olhar para o colega ao lado, eu entendi que é importante saber exatamente o que eu quero do meu ambiente de trabalho e o que espero extrair da atividade que exerço.
Para facilitar essa reflexão, eu gosto de classificar a atividade profissional em três níveis de envolvimento: um emprego, uma carreira ou uma vocação.
1. O Emprego (Foco no Presente)
Se eu enxergo a minha atividade estritamente como um emprego, é porque o meu interesse básico e principal é o retorno financeiro. A minha motivação começa e termina no salário no fim do mês.
2. A Carreira (Foco no Futuro)
Caso o meu interesse seja uma carreira, significa que eu estou investindo na minha profissão visando um benefício lá na frente. O meu engajamento vem da possibilidade de crescimento, seja através de um mestrado, de um curso específico ou de uma atividade que me levará a um outro patamar dentro da instituição.
3. A Vocação (Foco no Propósito)
Agora, se o que eu sinto é uma vocação, então, em princípio, eu serei feliz no ambiente de trabalho mesmo que não seja totalmente bem remunerado ou que não exista uma possibilidade clara de ascensão no futuro. A minha satisfação passa a ser intrínseca à própria atividade.
Transformando a Relação com o Trabalho
Não é difícil eu imaginar que, desses três exemplos, a vocação é a possibilidade que trará mais felicidade individual e, por consequência, a maior qualidade de clima organizacional para o local onde atuo.
Mas a grande boa notícia que descobri é que nada impede que um emprego ou uma carreira se transforme em uma vocação ao longo do tempo.
Se houver a minha intenção genuína de me envolver com a atividade — a ponto de não necessariamente transformá-la na vocação da minha vida, mas de adquirir uma atratividade real pelo que eu faço todos os dias —, as chances de eu alcançar um nível satisfatório de bem-estar são enormes. E, consequentemente, eu ganho (e o meu ambiente ganha) uma qualidade excepcional no clima organizacional.
O Todo e as Partes
Se eu me preocupar em me envolver de forma positiva, tornando a minha atividade mais atrativa e me aproximando do que seria uma vocação, eu terei muito mais satisfação. Serei mais feliz e, como resultado natural, as minhas relações com os colegas serão muito mais saudáveis e positivas.
O clima organizacional de altíssima qualidade nasce de uma compreensão básica que levo para a vida: o todo é formado por muitos “uns”. E olhar cada “um” desses mais de perto não machuca. Pelo contrário, é o alicerce fundamental para que o nosso ambiente de trabalho deixe de ser apenas um espaço de obrigações e passe a ser um lugar de realização e segurança psicológica.
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